Por definição, um camarim é um espaço de transformação, de metamorfose. É onde o actor deixa para trás a sua pele, a sua história, e num ritual de magia se empresta ao personagem. O camarim é como que o templo da criação, a antecâmara da arte maior que é o teatro, e o limbo entre o real e a fantasia. É um espaço de emoções, e da desconstrução delas, é um baú de histórias, de segredos e confissões, feitas a um espelho que é testemunha de pedaços da vida de tantos fazedores de arte.
Faz-se nele sentir, de imediato, uma energia especial, por ser o porto de abrigo e a porta dourada, que vê entrar e sair quem faz com que a Arte de Talma seja assim chamada com justiça. Tem o eco das memórias, tem a luz do presente em marcas de batom num espelho com luzes, e tem as aspirações, a força e a vida da criatura especial que é o Artista.
O camarim é um livro aberto, e um espaço onde se condensam risos, suor e lágrimas, e onde o amor ao teatro é a palavra de ordem. O camarim condensa passado, presente e futuro, suspiros e sonhos, com um perfume especial e uma atmosfera que só lá se encontra.
Camarim é uma manta de retalhos, onde se entrelaçam histórias em pós de perlimpimpim. Abrimos assim a porta ao Camarim dos nossos dias, deixamos ao relento os nossos sonhos, as nossas inspirações, e as fontes do nosso Amor ao Teatro.
Sejam bem-vindos, e que soem as pancadas!
André&Inês