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| Foto: Museu Nacional do Teatro |
Hoje lembrámo-nos de uma história que vai para lá de divertida e que já há algum tempos nos contaram... É sua protagonista a extraordinária Dª Irene Isidro, uma Senhora Dona Actriz, querida, amada e admirada por milhares e senhora de méritos e talentos mais que reconhecidos e aplaudidos e com uma graça e bondade de fazer inveja a santinha! Nos palcos, foi monstro em todos os géneros, subiu alto na revista, na comédia e na opereta e chefiou, com a sua elegância arrebatadora, as mais luxuosas apoteoses, arrancou os maiores aplausos, arrecadou os maiores elogios e esbanjou talento a rodos. Criou alguns dos mais extraordinários números patrióticos que passaram pelos palcos de revista e muitas das canções, de revistas e operetas, que hoje trauteamos, saltaram da sua boca para a boca do povo. Quem não se recorda daquela antológica "Canta lá, cachopa, uma cantiga/Salta lá, sem medo, essa fogueira/ Abre-me esses olhos, terna rapariga/Porque o teu olhar ilumina a rua inteira"? É - sim, porque continua a ser - , na verdadeira acepção da palavra, uma vedeta! Mas, para lá do reposteiro, e a tudo isso, juntava-se uma desconcertante distracção que despoletou algumas das mais divertidas histórias que, ainda hoje, deambulam pelos corredores e pelos camarins dos teatros...
A que hoje aqui trazemos tornou-se histórica e deu pano para mangas - leia-se, gargalhadas. Num certo dia de folga, a Dona Irene acordou, levantou-se e preparava-se para fazer a sua toillete matinal. Pegou num transístor, para ir ouvindo música enquanto se arranjava, e lá foi para a casa de banho. Preparou o seu banho de imersão, entrou na banheira e vá de colocar o transístor no rebordo da banheira, mesmo ao lado do sabonete... Certamente que aqui, os nossos amigos que hoje nos visitam no camarim, já estão a perceber tudo!...
Na altura de ensaboar, Dona Irene procura o sabonete, agarra, distraidamente, no transístor e enfia-o dentro de água... Vá de se ensaboar! Lá se foi a música para o maneta. E, admirada por ter deixando de ouvir a sua música, a extraordinária actriz agarra no sabonete, chega ao ouvido e exclama, aborrecida:
- Que maçada! Agora acabaram-se as pilhas...

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